NOTÍCIAS
MULHERES FORA DO PROGRAMA DE RASTREAMENTO SÃO AS MAIORES VÍTIMAS DE CÂNCER DO COLO DO ÚTERO          
 
Programação especial em alusão ao Dia Internacional da Mulher visa conscientizar sobre a importância do exame papanicolaou                                         
             
Maria Santa Guerra Zacheu sabe a dor de perder alguém vitimado por câncer. Há dois meses, viu o marido falecer devido à doença, contra a qual lutou durante dez anos. Para o tumorde seu companheiro, não havia exames preventivos. Para o caso dela, sim. "Só não desenvolvi a doença  porque desde 1975 nunca deixei de fazer o exame de papanicolaou. Tive alterações, mas tudo foi facilmente resolvido", conta.
A realidade de Maria não é a mesma de outras tantas pessoas. Na região de Jaú, por exemplo, os óbitos em 2009 por câncer de colo do útero foram de mulheres com mais de 50 anos. E o detalhe mais instigante: essas mulheres nunca haviam feito o exame de papanicolaou. "Quando fizeram, foi por apresentarem sintomas como sangramento ou corrimento vaginal e acabaram descobrindo o câncer em estágio avançado,  com menores chances de cura. Se tivessem feito o exame no começo, poderiam ter sido salvas", diz a médica oncoginecologista Lenira Maria Queiroz Mauad, responsável pelo Programa de Prevenção do Câncer de Colo do Útero, do Hospital Amaral Carvalho, em Jaú (SP).
 O número de mulheres que ainda não se protegem da doença de forma adequada, ou seja, realizando o exame papanicolaou, é grande. Em 2007, 13% das pacientes atendidas pelo programa estavam desprotegidas, com o exame de papanicolaou em atraso. Cerca de 6% nunca haviam realizado o exame anteriormente e 7% haviam realizado há mais de cinco anos, fator de risco caso haja o desenvolvimento de lesões. Em 2009 este número subiu para 15%-7% nunca haviam realizado e 8% realizado há mais de cinco anos. "As mulheres com mais de 50 anos, talvez por estilo de vida ou por não terem a vida sexual tão ativa, acabam deixando de lado o exame. Muitas ainda acreditam que é melhor não descobrir, quando a decisão de prevenir-se pode salvar-lhes a vida.", enfatiza Dra. Lenira
 Com aproximadamente 500 mil casos novos por ano no mundo, o câncer do colo do útero é o segundo tipo de câncer mais comum entre as mulheres, sendo responsável pela morte de 230 mil mulheres por ano. No Brasil, para 2010, são esperados 18.430, com um risco estimado de 18 casos a cada 100 mil mulheres. Sabe-se hoje que o surgimento do câncer do colo do útero está associado à infecção por,  um dos aproximadamente 15 tipos oncogênicos do HPV. Outros fatores de risco são o tabagismo, alimentação inadequada pobre em vitaminas, a multiplicidade de parceiros sexuais, a iniciação sexual precoce o partos precoce e o uso de contraceptivos orais.
 O Ministério da Saúde estima redução de até 80% na mortalidade por este câncer a partir do rastreamento de mulheres na faixa etária de 25 a 65 anos com o teste de papanicolaou e tratamento das lesões precursoras com alto potencial de malignidade ou carcinoma "in situ". Para tanto é necessário garantir a organização, a integralidade e a qualidade do programa de rastreamento, bem como do tratamento das pacientes.
 
"Semana da Mulher" começa dia 8
O Programa de Prevenção do Câncer do Colo do Útero do HAC realiza de 8 a 14 de março a "Semana da Mulher", em alusão ao Dia Internacional da Mulher, comemorado nesta segunda-feira. Trata-se de programação especial com intensificação de campanhas preventivas e horários especiais de coletas. "Queremos aumentar  o número de mulheres atendidas, principalmente as que nunca fizeram o exame, ou deixaram de fazê-lo regularmente. Precisamos concentrar nossos esforços nestas mulheres, que por algum motivo não têm o hábito regular da prevenção", diz a médica.
 
 
Papanicolaou pode reduzir 70% das mortes
O exame preventivo tem reduzido as mortes por câncer de colo de útero em 70 % desde sua criação pelo Dr. George Papanicolaou na década de 40. O sucesso do teste vem do fato que ele pode detectar as lesões que ocorrem no colo do útero antes do desenvolvimento do câncer. "O exame não é somente uma maneira de diagnosticar a doença, mas é útil também para detectar a infecção pelo HPV , vírus que aumenta o risco de uma mulher vir a desenvolver o câncer", diz a médica oncoginecologista Lenira Maria Queiroz Mauad.
No Programa de Prevenção de Jaú, a coleta é realizada por profissionais da área de enfermagem previamente treinadas, sob supervisão médica. O exame é oferecido em três unidades de coleta: Posto Fixo (anexo ao HAC); posto itinerante nas unidades básicas de Saúde, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde; e posto móvel (micro-ônibus adaptado para coleta em campanhas, empresas ou bairros sem unidade básica).
O Programa de Prevenção ao Câncer Ginecológico é responsável por cerca de 10 mil exames de papanicolaou ao ano. Em média 5% dos exames podem estar alterados. Espera-se que 4% sejam lesões de baixo grau e 1% lesões de alto grau. Em populações rotineiramente rastreadas, como a área abrangida pelo setor de prevenção do HAC, é raro encontrar lesões já invasoras.
"O HAC mantém esse programa de prevenção há 14 anos, em parceria com as Secretarias Estadual e Municipal de Saúde. Apresentamos bons resultados como o aumento da população assistida, aumento do diagnóstico de lesões precursoras e casos pré-tumorais e consequentemente redução da mortalidade. O Ambulatório de Patologia Cervical é responsável pelo atendimento de mulheres com exames alterados de Jaú e região, realizando complementação diagnóstica e tratamento de alterações detectadas no exame de papanicolaou", e dra. Lenira.
O Programa de Prevenção do Câncer do Colo do Útero até dezembro de 2008 teve 54 mil mulheres cadastradas e rastreamento médio de 900 citologias por mês. Em 1995 o programa realizou 2.059 exames. Em 2007 o número saltou para 10.371.
 
 
INDICAR NOTÍCIA

 


 

SnifBrasil uma publicação

(11) 5533-5900 – dpm@dpm.srv.br

O conteúdo dos artigos assinados no site e no boletim SnifBrasil é de responsabilidade de cada um dos colaboradores. As opiniões neles impressas não refletem, necessariamente, a posição desta Editora.
Não é permitida a reprodução de textos, total ou parcial sem a expressa autorização da DPM.
Informações adicionais poderão ser solicitadas pelo e-mail editor@snifbrasil.com.br.

Qualquer problema, ou dificuldade de navegação poderá ser atendido pelo serviço de suporte SnifBrasil, pelo e-mail suporte@snifbrasil.com.br

 

Login: Senha:
Esqueci minha senha   Ajuda