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AUTO-ESTIMA NÃO SE VENDE EM LOJA, OU VENDE?


AUTO-ESTIMA NÃO SE VENDE EM LOJA, OU VENDE?
 
Adriana Leocádio
 
Eu detesto shopping center. Quantas mulheres você já ouviu dizendo isso? Acho que muito poucas. Mas juro que é verdade: nunca inclui entre minhas preferências de passeio de fim de semana circular por um lugar horrível, fechado e atulhado de gente. Não vou nem aos cinemas lá. Prefiro as salas (poucas, infelizmente, hoje em dia) que ficam na rua.
Por muitos anos, sempre atribuímos esse comentário às mulheres, como se os homens estivessem auto-imunes do fator "auto-estima". Hoje eu diria, o ser humano se ilude muito. Acham que por comprar uma roupa de marca vão se sentir melhor consigo mesmos, vão resolver problemas que na verdade estão dentro delas e não fora. Já ouvi inúmeras vezes as amigas dizendo: "Ai, tô mal, preciso de um banho de loja". E vão e gastam e se endividam e... Continuam se sentindo péssimas.
Será que isso tem relação com a nova postura de comportamento do consumidor!
Clones estéticos, com as mesmas roupas, os mesmos cabelos (dá-lhe chapinha!), os mesmos peitos (dá-lhe silicone!), os mesmos sapatos e até os mesmos sorrisos: já reparou que com a proliferação dos aparelhos as pessoas ficaram com a dentição idêntica? E eu que achava tão bonitinhos aqueles dentes um pouco tortos, dentucinhos, um tanto encavalados... Sei lá, davam personalidade.
Não é fácil definir o que é o Novo Consumidor, obviamente uma analogia com o conceito de Nova Economia (New Economy ou Internet Economy). Apesar deste ter surgido por volta de 1994 e de se ter vindo a vulgarizar, as tentativas para a sua explicação resultam normalmente em dúvidas, hesitações, perplexidades...
Baseado nisso é que, procurei produzir nesse texto um conjunto de referências teóricas, estudos empíricos, experiências pessoais e reflexões prospectivas, algumas mais fundamentadas, outras mais especulativas.
A revolução no domínio das telecomunicações e da informática (baseada na digitalização e nos circuitos integrados), bem como das indústrias fortemente associadas àquelas, como a dos media e do entretenimento, atingiu um nível de desenvolvimento tal que está a desencadear transformações qualitativas nos sistemas econômico e social.
De acordo com Barua et al (1999), do Centro para a Pesquisa em Comércio Electrônico da Universidade do Texas, o que distingue a Nova da Velha Economia são os fatores estratégicos de criação de valor, anteriormente baseados nos ativos físicos e agora na informação em tempo real, no conhecimento do consumidor e no estabelecimento de parcerias estratégicas centradas na internet. As palavras-chave da Nova Economia são: Informação, Conhecimento e Velocidade.
Tal como a Velha Economia, também a Nova necessita de uma infraestrutura eficiente, integrando redes de cabos, equipamentos informáticos, de telecomunicações etc. Necessita também do software que viabiliza e potencia o funcionamento dessa infraestrutura, bem como do capital humano que assegura a integração dos sistemas, o design, a consultoria etc. Depois, é preciso estabelecer e facilitar a interação entre vendedores e compradores, por meio de intermediários de informação e conhecimento. Finalmente, é necessário vender, seja a outras organizações, seja aos consumidores finais.
A utilização das novas tecnologias pelo marketing, segundo Wayland e Cole (1997), terá o maior impacto ao nível da conversação com os consumidores, para melhor compreendê-los e servi-los, da colaboração com os mesmos, para criar valor comum, e do fortalecimento das transações electrônicas, seja nos produtos atuais, seja em negócios completamente novos.
A questão das competências do consumidor não é, contudo, displicente. A par de outras competências sociais, o Novo Consumidor é confrontado com a necessidade de adquirir novos, mais complexos e urgentes conhecimentos, experiências, atitudes e sentimentos de autoconfiança e de auto-eficácia. Esse é um importante fator condicionante das decisões de compra e de consumo, sobretudo, quando respeita às novas tecnologias, constituindo um desafio que os fabricantes e distribuidores deveriam encarar com mais atenção.
Se é verdade que o Novo Consumidor é fruto do desenvolvimento e da oferta de novos meios tecnológicos, também não é menos verdade que esses meios se desenvolveram e se vendem porque vêm ao encontro dos desejos e expectativas dos consumidores. Nesse sentido, o consumidor (o seu conhecimento, a sua satisfação) continua a ser a essência do marketing, a orientação paradigmática das empresas ou dos negócios contemporâneos, a qual sucedeu às orientações para a produção (baseada na produtividade), o produto (baseada na qualidade) e a venda (baseada na comunicação).
Em suma, o que posso concluir é que infelizmente  "AUTO-ESTIMA" ainda encontra-se nas prateleiras das lojas, no consumo virtual, enfim, no ato de comprar e pouco no ato de buscar se auto-estudar com ajuda de um profissional de psicoterapia e descobrir que a "auto-estima" precisa estar dentro de você.
 
Adriana Leocádio é especialista em comportamento do consumidor e atualmente preside o Portal Saúde.Org.
E-mail: Adriana@portalsaude.org
 












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