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O ESG não são só números!

A discussão em torno do ESG vem aumentando com diversos públicos. Tenho participado de vários eventos sobre o tema, com muitas empresas. Em um deles, falamos sobre como os consumidores estão percebendo a temática e apresentei pesquisas sobre como esse cliente está mais atento para a questão, seja para o bem ou para o mal, como o dado da pesquisa da McKinsey Brazil 2020 OpportunityTree, que mostrou que 85% dos brasileiros dizem que se sentem melhores comprando produtos mais sustentáveis e que, no caso da geração Z, 84% pararam de comprar de marcas que se envolveram em escândalos, ou seja, estamos tratando do amor e da dor da causa.

O ESG, que é a sigla em inglês para as questões Ambientais, Sociais e de Governança na gestão das organizações, foi alçado nesses últimos anos, como um dos principais fatores de análise e avaliação dos maiores investidores do mundo, como a BlackRock, maior empresa de gestão de ativos do mundo, e o maior fundo de pensão do Japão, por exemplo. Isso significa que existe um movimento que vem “de cima”, por meio dos investidores, e “por baixo”, com os consumidores. Desde o final dos anos 90, de forma visionária, sabíamos que a temática chegaria nas “graças” dos investidores e o mercado se movimentaria dessa forma.

Nesse movimento, um dos principais instrumentos de transparência e comunicação do ESG das empresas são os relatórios anuais de sustentabilidade, que apresentam essas questões com muitos números, diagramação bacana e fotos bonitas. A pesquisa da KPMG sobre Relatórios de Sustentabilidade 2020, mostrou que 80% das companhias analisadas globalmente elaboram relatórios de sustentabilidade, sendo que 96% das 250 maiores empresas que participaram do estudo, publicam também este documento. Neste dado já fica a pergunta que sempre me fazem:

- Professor, o ESG é só para as grandes? E rapidamente respondo que não, todas as empresas precisam participar desse novo modelo de gestão, pois as grandes empresas logo só comprarão daquelas médias e pequenas, que também se preocupam com a temática, mesmo que ainda tenham o seu ESG em desenvolvimento.

No caso do Brasil, a pesquisa mostrou que 85% das 100 empresas brasileiras respondentes elaboram o seu relatório de sustentabilidade e 33% declaram que se trata de um relatório integrado, ou seja, com dados financeiros aprofundados, sendo também o seu relatório ou balanço anual financeiro. Nestes relatórios analisados, 67% divulgam suas metas de desempenho para os negócios relacionados aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) e só 32% comunicam claramente os seus impactos positivos e negativos, em relação aos ODS.

Você já leu ou analisou um relatório desses? Se ainda não, faça-o imediatamente para entender a importância da inserção do ESG na gestão empresarial. São índices, métricas e relatos de atividades, projetos, ações e processos ligados às questões de compliance, desenvolvimento de colaboradores, saúde e segurança, energia, gestão de carbono, resíduos, água, recursos ambientais, investimento social privado, enfim, muitos e muitos números e resultados ao longo de um ano.

Mas o principal de tudo é lembrar que atrás destes números e indicadores temos pessoas no planejamento, implementação, gestão e avaliação. Não podemos esquecer que a base do ESG e das empresas serão sempre pessoas! Então, para começar o seu ESG comece cuidando das pessoas e do planeta.
 
Marcus Nakagawa é autor, palestrante e professor da ESPM; coordenador do Centro ESPM de Desenvolvimento Socioambiental (CEDS); idealizador da Associação Brasileira do Profissionais pelo Desenvolvimento Sustentável e da Plataforma Dias Mais Sustentáveis.
 












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