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Antibióticos: prescrição e resistência bacteriana

Febre muito alta, tosse forte, garganta muito vermelha (mesmo com um teste rápido negativo colhido na garganta), manchinhas e catarro nos pulmões (nas radiografias), ouvido vermelhinho (ao exame clínico), infecção na urina (por exames de urina colhidos de forma totalmente inadequada, gerando falso diagnóstico por contaminação) são alguns dos diagnósticos que têm "justificado" a prescrição de antibióticos.

A matéria Antibióticos: a prescrição está adequada?, publicada no site da Sociedade de Pediatria de São Paulo (21/08/2014), mostra o aumento do uso dessa classe importantíssima de medicamentos (nem sempre preciso e adequado) entre 2000 e 2010 (36%) e a necessidade de um maior controle e orientação sobre a sua correta aplicação. Vale lembrar que o Brasil, juntamente com Rússia, China, Índia e África do Sul, responde por 76% desse aumento.

Além disso, está cada vez mais evidente o aumento assustador da resistência das bactérias aos antibióticos existentes (antibióticos que antes tratavam as infecções passaram a não resolver mais, em parte pelo excesso e pelo mau uso do medicamento). Um artigo publicado recentemente no Pediatrics (15/09/2014) demonstrou que, após a instituição da vacina pneumocócica conjugada, cerca de 27,4% das crianças apresentava doenças bacterianas agudas do trato respiratório (ARTI). Em consultas com pacientes por conta de quadros de ARTI, a prescrição de antibióticos era de quase o dobro dessa frequência, representando recomendação de continuidade da intervenção administrativa em curso para a adequação dessa prescrição.

Outra matéria mais recente ainda publicada no The Lancet (27/09/2014) destaca a importância do aumento do problema relacionado à resistência bacteriana a antibióticos a ponto de uma Assembleia da OMS, em 2014, ter emitido uma resolução requerendo que a OMS desenvolva e submeta um planejamento em relação à resistência antimicrobiana global para a Assembleia de 2015.

Conforme lembrou Dr. Moises Chencinsk, médico especializado em Pediatria e Homeopatia e membro do Departamento de Aleitamento Materno da Sociedade de Pediatria de São Paulo, a Comissão Europeia prioriza a pesquisa nessa área desde 1999. Ele ressalta que milhões de euros já foram destinados a projetos sobre resistência bacteriana em áreas que afetam não só a saúde humana, mas saúde animal, alimentos e o meio ambiente. Entre 2013 e 2014, 15 projetos relacionados ao desenvolvimento de novos antibióticos, mais vacinas ou tratamentos alternativos para infecções microbianas resistentes a drogas e uso de nanotecnologia para liberação de drogas antimicrobianas.

Além disso. Em 2015, a União Europeia vai lançar um prêmio para o desenvolvimento de testes rápidos que identifiquem pacientes com infecções de trato respiratório superior que possam ser seguramente tratados sem o uso de antibióticos. O médico cita um relatório especial, publicado no Medscape PEDIATRICS, reunindo artigos, matérias e depoimentos de médicos, pacientes e órgãos responsáveis, que alerta a respeito do uso excessivo, inapropriado de antibióticos nos últimos 15 anos, responsáveis pelo aumento importantíssimo da resistência bacteriana.

Dados do Central of Disease Control and Prevention (CDC) demonstram que a cada ano, nos Estados Unidos, pelo menos 2 milhões de pessoas são infectadas por bactérias resistentes aos antibióticos, e que pelo menos 23.000 pessoas morrem como resultado direto dessas infecções. Uma pesquisa feita com médicos de várias especialidades mostra que aproximadamente 21,5% deles, em média, prescreve antibióticos sem certeza da necessidade (só 5% dos entrevistados disseram que nunca agiram dessa forma). Entre os pediatras, essa taxa foi de 18,6%.

Algumas das justificativas mais comuns para essa prescrição "na dúvida" foram:

- Eles estavam certos o suficiente que os antibióticos eram necessários; (53%);
- Não estavam tão certos, mas não se sentiriam confortáveis em não tratar uma infecção que poderia ser bacteriana; (42%);
- Paciente estava doente e os exames de laboratório poderiam demorar; (31%);
- O paciente pediu um antibiótico; (28%).

Muito preocupante uma justificativa dada por 11% dos médicos que "se não forem necessários, os antibióticos não farão mal algum e poderiam ajudar o paciente mais precocemente se fossem necessários". A cada dia se faz mais necessária uma conscientização a respeito da promoção à saúde e da prevenção de doenças como o padrão-ouro na busca de uma vida saudável. Gravidez planejada, cuidados adequados de pré-natal, consultas regulares com o pediatra (desde a 32o. semana de gestação e depois de acordo com as recomendações da SBP), estímulos ao parto mais adequado (normal, natural ou, apenas quando realmente necessário, parto cesariana), aleitamento materno desde a primeira hora de vida, exclusivo e em livre-demanda até o 6o. mês, estendido até 2 anos ou mais, introdução de alimentação adequada sem pressa (após o 6o. mês de vida), vacinação adequada, cuidados básicos de higiene são algumas dessas medidas a serem almejadas e estimuladas para toda a população.

Antibióticos são medicamentos excelentes e fundamentais, quando prescritos apenas em infecções certamente bacterianas, da forma adequada, pelo prazo adequado, que devem ser receitados apenas por médicos ou profissionais de saúde capacitados em suas áreas de atuação (dentistas, veterinários) e somente após uma consulta presencial. O médico lembra que qualquer medicamento, mesmo que receitado de forma adequada e correta, tem seus efeitos bons e seus efeitos indesejáveis. "Antibióticos são assim também. Só o médico preparado, após uma avaliação em consulta, poderá prescrever o medicamento mais apropriado para cada caso, quando for necessário", comenta.

Existe uma tendência mundial de excesso de prescrição medicamentosa (especialmente de antibióticos), em grande parte (mais de 50%), como diz o diretor do CDC, Tom Frieden, em entrevista, de forma desnecessária ou inapropriada para o agente causal. "A resistência bacteriana está aumentando assustadoramente pelo uso de antibióticos de forma inadequada e excessiva tanto nos homens, como nos animais, nos alimentos e na agricultura. É necessário participarmos de um movimento mundial de conscientização a respeito do tema, sob o risco de perdermos, de forma definitiva, a possibilidade do uso de antibióticos, conforme advertiu a diretora geral da OMS até 2017, Margaret Chan, em declaração recente", revela.












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