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Takeda dobra a receita no Brasil

Após concluir a multibilionária aquisição da farmacêutica Shire, fruto de uma oferta de US$ 62 bilhões - em dinheiro e em ações -, a japonesa Takeda começou um processo acelerado de integração das operações mundiais. Agora, estará em 80 países. Para o Brasil, os planos são de manter o ritmo de crescimento dos últimos anos, incorporando produtos e tecnologias da Shire e levando ao mercado novos medicamentos.

"Com a aquisição da Shire, vamos dobrar de tamanho no Brasil, onde vemos perspectivas de ampliar nossos negócios ", disse Ricardo Marek, responsável pela divisão de países emergentes (GEM) da Takeda. O Brasil, ao lado de China e Rússia, são destaques no grupo dos emergentes, que compreende 48 países, afirmou Marek. Esse grupo responde por 14% da receita global da "nova" Takeda. Com a Shire alcança US$ 31,3 bilhões. O Brasil, que é um dos maiores mercados da região, está à frente.

O país ganhou novo status com o negócio, disse o executivo. Renata Campos, que assumiu a presidência da empresa há dois anos, também respondia pelos negócios de América Latina. Agora, terá atuação centrada no mercado brasileiro. "Acabamos de definir o plano de negócios para os próximos três anos", informou a executiva, há quase dois anos no cargo e desde 2005 na farmacêutica.

"Neste ano, já teremos quatro importantes lançamentos", disse Renata. Ela informou que a empresa, após a reorganização, mantém o foco na área de gastroenterologia (GI) e vai agregar três áreas novas ao seu portfólio: doenças raras, hematologia e neurociência. A Takeda tem presença ainda em oncologia e terapias derivadas do plasma (TDP).

Segundo informa, a companhia japonesa de mais de 230 anos de fundação se posiciona entre os dez maiores em atuação no país. Renata destacou ainda o acordo com a Hemobrás para instalação de uma fábrica em Pernambuco que envolve transferência de tecnologia para fator de coagulação 8 recombinante. Dividido em cinco fases, o empreendimento de US$ 250 milhões deve ser concluído até 2023 e vai beneficiar milhares de hemofílicos.

Outra grande aposta da Takeda é o desenvolvimento da vacina contra dengue, cujo programa visando aprovação está em curso. Até fim do mês deve receber a aprovação de grupos técnicos para a fase 3. Ainda não previsão para lançamento da vacina. "Estamos executando todos os estudos e pesquisas necessários", disse Marek. Vários países serão beneficiados, como Brasil, México, Equador, Malásia, Tailândia. E até EUA, Europa e Japão - nestes casos para atender pessoas oriundas de regiões com surto da doença.

A compra da Shire, que desde o anúncio afetou o desempenho das ações da Takeda, permitiu à farmacêutica japonesa maior presença no Ocidente. Da receita combinada, quase metade (49%) será gerada nos mercado americano. Europa e Canadá ficarão com 19% e o Japão, 18%. O GEM, sob coordenação de Marek, 14%.

Os quatro grandes mercados de operações da "nova" Takeda, que passou a ter ações listadas, desde terça-feira, também na Nyse, de Nova York, estarão divididos em seis grandes blocos: três países e três sub-regiões. Com a Shire, a farmacêutica torna-se a nona maior do mundo, disse Marek, com base em levantamento de consultorias especializadas.

Renata Campos tem a missão concluir a integração no Brasil em alguns meses, no mesmo ritmo global, e de maximizar os negócios da Takeda no país. "Somos uma das empresas que mais cresce aqui no setor e vamos assim continuar", disse. Ela passa a comandar 1.500 funcionários, uma fábrica em Jaguariúna (SP) e um laboratório de pesquisa (ex-Shire) em São Paulo.

Segundo a executiva, a receita de vendas da unidade brasileira novo perfil: 36%, medicamentos de prescrição; 29%, hematologia; 14%, medicamentos OTC (sem prescrição), 10%, remédios para doenças raras; 6%, de oncologia, e 5% da área de oncologia.

Fonte: Valor Econômico












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