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Especialista esclarece os mitos e verdades sobre HIV e Aids

A campanha Dezembro Vermelho, criada pela ONU, surgiu para lembrar a importância da luta contra a Aids e transmitir compreensão, solidariedade e apoio aos portadores do vírus HIV. A doença foi descoberta em 1984 e, devido a evolução da ciência, muita coisa mudou. No entanto, apesar do tempo e da qualidade de vida do portador de HIV ter aumentado significativamente, o HIV ainda não tem cura.

Para esclarecer as dez principais dúvidas sobre o tema, o infectologista do Hospital e Maternidade São Cristóvão Saúde/SP, Dr. Jorge Garcia, esclarece os mitos e verdades em relação ao vírus HIV e a AIDS:

 
1.      É verdade que a AIDS e HIV são a mesma coisa?

Mito. HIV é a sigla em inglês do vírus da imunodeficiência humana, causador da Aids. Nos primeiros anos da doença a pessoa convive com o vírus sem ter manifestações dela. Como o vírus ataca o sistema imunológico, principalmente as células CD4, as defesas ficam baixas e deixam o organismo vulnerável a diversas doenças. As pessoas que vivem com a Aids têm o estágio mais avançado da doença, que ataca o sistema imunológico e é causada pelo vírus do HIV.

 2.      A Aids só pode ser transmitida através do sangue ou contato sexual?

Mito. A forma de contágio do HIV se dá por meio da troca de fluidos corporais como, por exemplo, sangue, sêmen, secreções vaginais e leite materno. Saliva, urina, lágrimas, fezes e suor são considerados fluídos não infectantes. O contágio não acontece por meio de interações comuns como abraçar, beijar, dividir objetos ou alimentos.

3.      Mulheres soropositivas podem engravidar sem que o vírus HIV seja transmitido?

Verdade. Atualmente o acesso universal aos antirretrovirais permite que mulheres soropositivas vivendo ou não com AIDS, possam engravidar. O mais importante é o planejamento da gravidez com o médico que realiza o acompanhamento da mulher. Existem medidas que devem ser avaliadas para minimizar o risco para o parceiro e para diminuir as chances de transmissão para o bebê durante a gestação, no parto e pós-parto.

 4.      Todo bebê de uma mulher com HIV já nasce com o vírus.

Mito. Hoje em dia, o risco de o bebê nascer com o vírus do HIV é extremamente baixo desde que a gestante tenha feito o planejamento da gestação, pré-natal correto, seu estado imune e tenha feito o uso de antirretrovirais avaliado durante todo o processo pelo médico.

5.      Se durante o sexo oral a pessoa tiver alguma afta ou outra ferida na boca pode contrair o vírus?

Mito. A possibilidade de transmissão do HIV em sexo oral feito em uma pessoa vivendo com HIV é muito baixa. É estimado que o risco de uma pessoa contrair HIV pelo sexo oral receptivo é de 1 em 10 mil, entretanto, a chance de contrair o HIV aumenta em caso de ejaculação na boca. Nunca se deve esquecer que existem outras doenças de transmissão sexual que podem ser adquiridas através do sexo oral, e o uso da camisinha é muito importante na prevenção.

6.      Posso ser infectado por usar sabonete, toalha, lençóis, talheres ou roupa íntima de uma pessoa soropositiva?

Mito. O risco existe com a troca de fluídos corporais como, por exemplo, sangue, sêmen, secreções vaginais e leite materno.

 7.      O exame de HIV detecta o vírus logo no início?

Mito, existe um período chamado de janela imunológica, geralmente nos primeiros 30 dias após o contágio.

8.      Quem tem HIV não precisa usar camisinha se o parceiro também tiver o vírus?

Mito, devem usar camisinha sim. O vírus do HIV apresenta uma diversidade genética importante, tipos, subtipos e vírus recombinantes. O sexo sem proteção pode facilitar o risco de transmissão de outros subtipos, vírus resistentes, além do risco de outras doenças de transmissão sexual.

9.      É possível contrair o vírus através de brinquedos sexuais?

Verdade. É raro, porém, existem relatos de casos de transmissão da doença por compartilhamento de acessórios eróticos.

10.  Aids mata?

Verdade. A principal causa é o diagnóstico tardio da doença. É muito importante realizar teste de HIV para descobrir a doença precocemente e poder realizar o acompanhamento e tratamento adequado.Por último, é importante lembrar que a Aids não está relacionada à orientação sexual ou identidade de gênero.

 












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